HenriqueMelo

Psicólogo Clínico e Psicanalista

CRP 06/123471

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Angústia: Entre o Conhecimento e a Ignorância

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Henrique T. P. Melo

“Ignorância é uma bênção”; “Conhecimento não dá amparo para a Angústia”. Será mesmo?

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“Conhecimento não dá amparo na angústia”
Será mesmo?

Você já ouviu falar que “ignorância é uma bênção”? Então, por quê precisa ser?
A ignorância somente nos leva a reagir às inconstâncias da vida de forma alheia a nós mesmos, acreditando em conceitos, planos e histórias que nos motivam, mas muitas vezes não são raciocinadas corretamente em nossa história, valores ou desejos! Indo além: que não condizem com a própria realidade do Mundo.

Em 1674, o cientista holandês Anton van Leeuwenhoek (abrasileirado: Ênton Van Liu-uoqui), aperfeiçoou o microscópio criado por Galileu Galilei e conseguiu com uma nitidez considerável observar o pequeno mundo das bactérias, ou como conhecemos hoje: o microcosmos. Na realidade, as bactérias vivem o tempo todo ao nosso redor, mas quando Van Leeuwenhoek observou os pequenos seres se rastejando em suas lentes percebeu que havia mais além do que os sentidos humanos poderiam captar

De primeiro momento, talvez, Anton van Leeuwenhoek pode ter pensado: “Credo, que horror! Estamos infestados de microrganismos!”, ou não. Entretanto, com esse avanço do saber foi possível compreender de onde as doenças vem, como elas se alastram e, mais importante, como combatê-las.

Por exemplo, com o microscópio pudemos compreender como a reprodução se dá e a Fertilização In Vitro (FIV) agora é possível, algo inimaginável alguns séculos atrás.
Hoje, inclusive, com um microscópio a laser extremamente potente e complexo conseguimos enxergar o átomo: o bloco de tudo que há, e que em muitas Eras foi somente uma especulação ou um conceito filosófico.

Se por acaso o cientista tivesse queimado sua invenção como uma abominação ou um conhecimento difícil demais de suportar, o avanço da medicina hoje poderia ter sido muito menor e muitas vidas poderiam ter sido perdidas, pois a Penicilina e outros antibióticos poderiam nunca ter sido inventados. 

Átomos de Praseodímio

Átomos de Praseodíminio, um mineral, ampliado 100 milhões de vezes com um microscópio a laser.

Saiba mais lendo aqui sobre esta grande inovação científica. (FOLHA, 2021)

Do pequeno ao grande conhecimento, o que fazemos com ele é o que pode ser uma bênção ou uma maldição, de acordo com nosso ponto de vista e ação.

Vamos imaginar o seguinte cenário:

Você acorda e abre a janela do seu quarto. Lá fora está ensolarado, os pássaros estão cantando e tudo parece perfeito. Então, você diz “Bom Dia” para a Alexa e ela te informa que há uma possibilidade de chuva à tarde. Você pega o seu guarda-chuva e o coloca na mochila antes de ir para o trabalho. Mas, para sua surpresa, o dia inteiro passa sem nenhuma gota de chuva.
No dia seguinte, a mesma coisa acontece: o sol brilha, os pássaros cantam e a Alexa avisa sobre a possibilidade de chuva. Dessa vez, você decide deixar o guarda-chuva em casa, pensando “ah, não vai chover mesmo”. O que acontece? Neste dia cai o maior toró e você volta para casa com o tênis mais parecendo uma bexiga d’água do que um tênis, e pragueja a Alexa até sua última geração.

Ué? Já é sabido de que a informação dada pela Alexa não é 100% precisa, já que ninguém é capaz de prever o futuro completamente. Queimar a Alexa não adianta nada. Ela te trouxe uma informação, que sabidamente refletida lhe abre o conhecimento sobre a chuva que poderá cair. A escolha de tirar o guarda-chuva da mochila no segundo dia não foi porque a Alexa mentiu sobre a previsão do tempo, mas porque você escolheu não acreditar que ia chover novamente.

Saber que vai chover à tarde nos motiva a querer levar o guarda-chuva para o trabalho. Isso não impedirá que chova, mas evitará possíveis desconfortos e problemas se entendermos que a informação é algo, já o conhecimento é adquirido, e às vezes precisamos passar por algumas dificuldades ou repeti-las algumas vezes para que a informação se torne conhecimento.

Portanto, repetindo a frase “Conhecimento não dá amparo na angústia”, vamos pensar: O conhecimento nos dá instruções, o que seguiremos depende de nossa decisão; saber mais de si mesmo lhe dá segurança nas decisões e dia-a-dia, e mesmo que não evite os problemas de existir, ainda assim dará melhores instruções a si-mesmo para passar pela dificuldade… O que já é melhor do que tentar fingir que o problema não existe. O resto depende da elaboração desse conhecimento.

Trazer nossos desconhecimentos do Mundo e de nós mesmos à tona somente ajudará a compreender-se como um ser vivo e como Humano. O resto depende da ação Humana, sua e nossa, sobre o Mundo.

Fica então a pergunta: Qual conhecimento você quer queimar ou já queimou?
Escreva aqui nos comentários…

Referências Bibliográficas

BRASIL ESCOLA. Anton Leeuwenhoek. Link: https://brasilescola.uol.com.br/biologia/anton-leeuwenhoek.htm. (Sem data)

Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial. Antony van Leeuwenhoek: inventor do microscópio. Edição 45, Número 2. Rio de Janeiro: Abr, 2009. Link: https://doi.org/10.1590/S1676-24442009000200001

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